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Reflexões para a Quaresma

Certamente olhar Cristo no rosto e não fazer projetos de perfeição quer dizer que se olha Cristo no rosto desejando de verdade o bem, desejando realmente ser verdadeiro, desejando de verdade querer bem: 'desejando-te de verdade, ó Senhor'.
Aproxima-se a Semana Santa. Se uma pessoa entra na Quinta-Feira Santa, na Sexta-Feira Santa, no Sábado Santo, na Páscoa, nesses quatro dias, sem olhar Cristo no rosto e basta, mas preocupada com os próprios pecados ou com a perfeição ou então com as coisas a serem meditadas, sai desses dias cansada e retoma as coisas como antes. Olhar Cristo no rosto, ao contrário, muda. Mas, para que mude é preciso olhá-Lo no rosto de verdade, com o desejo do bem, com o desejo da verdade: 'De tudo sou capaz, Senhor, se estou contigo que és a minha força'; é um 'Tu' que domina e não as coisas a serem respeitadas".

(GIUSSANI, Luigi. É possível viver assim?, 2008, p. 236)

A nossa vida pertence a um Outro


“A nossa vida pertence a um Outro. A inevitabilidade [daquilo que acontece] é como o sinônimo mais esclarecedor deste não pertencer das coisas a nós, e principalmente não pertence a nós aquilo de que tudo deriva: a nossa vida pertence a um Outro.
Neste sentido se entende por que a vida do homem é dramática: se não pertencesse a um Outro seria trágica. A tragédia é quando uma construção desmorona e todas as pedras e os pedaços de mármore e os pedaços de parede desabam. E tudo na vida se torna nada, é fadado a se tornar nada porque daquilo que vivemos no passado, daquilo que vivemos há uma hora, há cinco minutos, não existe mais nada de formado, nada de construído. E isso é trágico. A tragédia é o nada como meta, o nada, o nada daquilo que existe.
No entanto, se tudo pertence a um Outro, então a vida do homem é dramática, não trágica. Reconheço que te pertenço, reconheço que o tempo não foi meu, não me pertencia, como até hoje não me pertence, não me pertence. Podes tomar a minha vida, aceito que não me pertença, reconheço que não me pertence, aceito que não me pertença.
Aquilo que possui o nosso tempo morreu por nós, apresenta-se aos nossos olhos e ao nosso coração como o lugar onde o nosso destino é amado, onde é amada a nossa felicidade, tanto que Aquele que possui o tempo morre para o nosso tempo. O Senhor, Aquele ao qual pertence o tempo, é bom."

(Monsenhor Luigi Giussani, É possível viver assim?)